06 Outubro, 2009

Vai, leva
leva essa roupa cara
minha coleção rara
leva meus bibelôs todos
deixa esse espaço vago
claro

vai, pode levando
leva minha coleção nova de roupa de cama
as toalhas de flores
e os quadros que eu trouxe de outro país
deixa tudo branco
intacto

vai, agora pode sair
me deixa aqui nua
com a minha pele exposta
deixa o vento adentrar os poros
deixa os meus pés pisarem a terra quente
que o meu coração bate ainda mais pungente

vai, mas não bata a porta
deixa o sol correr pela sala e me encontrar despetalando as rosas
deixa seguir a vida
e admirarmos os brotos das gérberas

vai, leva o que quiser
eu não vou olhar para trás
pode levar cada vaso de verde opaco
só me deixa aqui assim
deixa florescer meu jardim
deixa que o amor cuida de mim

19 Agosto, 2009

Reminiscências de Maio


Não foi por você que eu chorei noite passada
não foi essa ausência que me fez falta
é de mim que sinto saudades
é da minha vida, dos meus sonhos, das minhas certezas
foi lembrando do meu sorriso largo que eu pedi que volte
foi pensando nos meus planos fartos que eu derramei as lágrimas
foi entrando em uma dessas vielas do meu mundo que eu perdi o caminho

Não, não me faça mais perguntas
eu estou farta delas
farta da angústia que causa a falta de respostas
farta da cobrança em que me atiro por não saber mais o caminho
e eu não sei mesmo
mas é querendo não saber tanto que eu estou tentando agora
porque as minhas costas doem do peso de tantas perguntas

Eu não quero mais a dor que me descontrola os sentidos
mas essa ausência de sentimento é tão incomoda
esse exílio é tão extenso
e os espaços estão tão vazios
que eu me escondo quando escuto passos que não sejam os meus
e até questiono se um dia existiu alguém que ocupasse o vagão ao meu lado
porque o trem já parou em tantas estações
que eu me acostumei a seguir viagem sozinha

Pare!
Eu não quero mais andar tão depressa
desacelere esse trem porque está tudo rápido demais
e eu não posso perder essa vida, assim, aos pulos
aos trancos, derrubando barrancos
se a via é de mão única
me deixa, pelo menos, tentar diferente agora

Parece tudo tão confuso
eu tenho um turbilhão de pensamentos dentro de mim
e todos querem sair ao mesmo tempo
sem ordem, sem rumo
esse livro inteiro que eu carrego no peito já quer nascer imenso
quer falar, andar e ganhar asas no primeiro mês

Eu quero ser amante, poeta, amada, amiga
quero ser mãe, filha, mulher, menina
eu quero ser borboleta e ter pouso certo na terra
quero ser mil, quero ser uma
eu quero ser tudo o que caiba em mim
mas no fundo, eu só quero ser feliz.

04 Julho, 2009

Nova habitante


eu continuo não sabendo as respostas
mas tem uma paz que adentrou meu coração
e se aconchegou no cantinho do meu peito
ela quieta minhas dúvidas
e nina meus medos para que eu adormeça

eu não sei por quanto tempo ela morará aqui
mas eu tenho bordado meus lábios de sorrisos
e meus olhos brilham avistando a luz do sol

eu ando vendo as ruas da minha cidade como cenas de filme
e eu sei que é ela quem faz isso
porque continua tudo igual do lado de fora
mas as folhas secas do inverno frio têm me parecido tão mais belas
que eu nem senti falta das flores nas calçadas

eu tenho viajado tanto para dentro de mim
que encontrá-la, assim, morando aqui
foi um tropeço numa rosa solitária
sem saber, enfim, se ela esperava por mim.

04 Março, 2009

Poesia em contrução

*Imagen de Yuri Bonder

hoje eu quero escrever uma canção de amor
quero um sax para tornar melodia o meu cantar desafinado
quero um céu azul para rabiscar as letras dos meus versos no arco-íris
quero escrever sobre as notas tristes que desabrocham como rosas estupidamente coloridas
e frágeis

eu quero falar do mundo
dos abraços
e da sua falta diária nas nossas vidas
dos olhares frios e das carências embutidas em sorrisos enquadrados
quadrados
que nem Monalisa conseguiria expressar tal frieza

eu quero contar sobre as pessoas que eu vejo todos os dias
e como elas se transformam quando as vejo através da música
como o caminhar fica ritmado e todos os gestos parecem retirados de um filme de Carlitos
todos os atores desuniformemente treinados para cada cena
quero desabafar que, às vezes, choro com o vento
e meus olhos, de tão grandes, se tornam pequenos para a enormidade da vida
porque eu sempre acho que sei aquilo que menos conheço
sempre sonho que já vivi aquilo que mais me estranha

eu quero escrever um poema onde eu consiga entrar soletradamente nele
onde as rimas escorram pelas minhas curvas tortas
e não me importa quem não puder entendê-lo
eu quero um pouco mais de amor nos olhares
e óculos gratuitos para aqueles que não sabem amar
porque a falta de amor, pode ser sim, uma falta de visão
uma cegueira corrigível
uma gripe que não passa nunca

eu não quero ter asas se não puder voar
não quero ter capa se não puder viver
eu não quero ser nada que eu não possa ser

09 Fevereiro, 2009

A morte da Mulher Maravilha


A Mulher Maravilha cansou de salvar o mundo. Começou a achar estranha essa estória de nunca ter um Homem Maravilha ao seu alcance e todo aquele brilho de ser "A" mulher. Resolveu tirar, pela primeira vez, um final de semana de férias e se viu absolutamente só.

Enquanto o seu rádio telepático tocava incessantemente com pedidos vindos do mundo inteiro, o celular particular não acusava uma ligação. Nenhuma mensagem. O primeiro registro, no final da manhã de sábado, foi de uma amiga desesperada.
- Só você pode me ajudar, ele não para de me ligar e eu não est...
- Não, não posso! – interrompendo a amiga
- O quê? Tá falando com quem? – respondeu a desesperada interrompida
- Com você! Estou de férias... não sei de nada. Não sei de mim, não sei pra onde quero ir, nem com quem. Aliás, não tenho ninguém pra ir comigo a lugar algum. Não sei. Não quero mais falar. Beijo. Não me liga!
Desligou o telefone.

Depois do silêncio na linha, no quarto e em toda a casa, achou que era mesmo o silêncio em si que incomodava. Não atendeu mais às ligações da mãe com perguntas inimagináveis a espera de respostas que ela não queria mais responder. Ignorou as mensagens da irmã que nunca acreditou que ela realmente salvasse o mundo, mesmo sem ter levantado da cadeira para tentar. E se recusou a ouvir as estórias de amor das amigas que lhe inspiravam textos lindos que seriam agradecidos eternamente. Queria escrever a sua estória!
E passou o resto do final de semana tentando achar um tema que lhe rendesse uma boa estória. Algo que fosse retirado da sua própria vida e que não precisasse usar temas vividos pela Mulher Maravilha, mas acontecimentos da vida dela.
Escreveu mais de vinte páginas com diferentes inícios que terminavam em nada. Achou todos absurdamente insossos e rasgou-os com raiva. Depois o choro.

Veio a vontade de sair às ruas e procurar por aqueles que precisavam dela. Talvez o trabalho a fizesse sentir melhor. NÃO! Como poderia ajudar ao próximo se dentro de si encontrara buraco maior do que a camada de ozônio? E não achava protetor solar que pudesse protegê-la do calor que extravasava pelos poros. Não sabia que a sua companhia, assim, desacompanhada, poderia ser tão monótona.

Vagou pelas horas que pareciam dias. Queria saber quem ela era se não usasse a roupa dos super poderes. Queria encontrar o lugar onde ela poderia ser gorda, feia, tímida, tola. Queria saber se ela existia sem a Mulher Maravilha. Queria alguma coisa verdadeiramente dela que a fizesse sorrir... lágrima nos olhos e o telefone tocando. Tocando. Tocando. Mensagem de texto: "Onde você está que não atende as ligações? Precisamos de você!". Respondeu em pensamento "eu também preciso!".

Segunda-feira, oito horas. Não conseguiu sair da cama.
Nove, dez, onze horas... chegou ao Olimpo. Calça jeans, camisa branca, all star vermelho. Atravessou todas as portas sem bater e olhou para Aquele que fora seu espelho durante toda a vida.
- Acabou. Não posso continuar lutando pelas pessoas se não consigo me encontrar sozinha. Não sou um exemplo para a nossa nação. – desabafou.
- Você não pode deixar tudo para trás. O povo acredita na Mulher Maravilha e precisa dela. O que diremos aos que contam com você?
- Diga que eu volto... viajarei pelos meus sete continentes. A minha missão só estará completa quando conseguir restaurar a paz, mas dessa vez, dentro de mim.

21 Janeiro, 2009



Ele pedia pão.
Eu, salmão.

Ele queria água.
Eu, vinho.

Eu pedia amor, dinheiro, saúde, trabalho.
Ele só pedia vida.

Eu inquieta, correndo, aflita
Fugindo da chuva
Com medo do tempo

Ele sorrindo, descalço na lama
Corria pra bola
Fugia das balas
Sonhava com campos de grama verde
E o grito ecoante depois do gol
...

10 Janeiro, 2009

Seja bem vindo!


10 dias do Ano Novo e eu ainda não tinha me pronunciado a respeito dele...

2008 foi um ano desejado, onde eu pude realizar sonhos antigos e outros que eu nem conhecia.
Acima de tudo, foi um ano marcante, amado, vivido em seus 365 dias apaixonadamente.

O que não quer dizer que eu não tenha chorado muitas vezes, feito um monte de coisas feias, pedido muito perdão pelo meus erros e agradecido como nunca. Por cada pedaço de terra nova que eu pisei. Por cada sorriso espontâneo e mágico que eu cativei. Por cada pequena coisa que eu aprendi.

Acho que foi por isso que eu demorei esses 10 dias pra dizer o meu mais sincero: FELIZ ANO NOVO!

Eu desejo a todos, acima de tudo, muita PAZ.

Paz no sentido mais abrangente que essa palavra - ou seria, estado de graça? - pode ter.

Que ela seja elemento único e insubstituível na vida de todos nós. Que ela seja a nossa IDENTIDADE...

Por falar nisso, qual o seu nome?
- Paz. E o sobrenome é Felicidade.




"Pode chegar que a festa vai é começar agora. E é pra chegar quem quiser, deixe a tristeza pra lá. E traga o seu coração, sua presença de irmão..." *Gonzaguinha*

05 Dezembro, 2008

IRREVERSÍVEL



Alguma coisa mudou
e parece irreversível

Eu sei que quando ando pelas ruas os meus olhos não são mais os mesmos
Mas não consigo saber onde estão os olhos de antes
E em qual clique eles vão voltar a mim
Quiçá se voltarão um dia

Em meio a dias de sorrisos
E noites com sol na terra
Eu me pego vagando por onde nada há
E não há como explicar como os meus pés saem do chão
Tentando chegar a algum lugar que não há tempo para voltar

Quando os meus olhos parecem vagar
Não é de tristeza
Não é dela que eu quero me afastar
É da saudade

Porque essa saudade sufoca
E desfigura as cores do meu pôr-do-sol
Tira o meu senso de direção e me deixa sem saber onde estou
Ou pra onde quero ir

O que eu fui e o que eu vivi já não se sabe onde um começa e termina o outro
O que eu senti e ainda lembro pertencem somente a mim
E essas são as únicas certezas que ninguém poderá me tirar
Porque quando eu choro
E é choro de saudade boba
Eu choro por mim
E por tudo o que nunca mais será o mesmo
Por tudo o que só eu consigo explicar

Sinto como se tivesse todas as fotos imortalizadas dentro de mim
E cada clique dessa vida que foi vivida
Parece dançar diante dos meus olhos
Os movimentos de uma bailarina sem compasso
Que só segue as batidas do seu coração

Esse coração torto
Que parece gostar de todas as vielas que esconde o mundo
Todos os precipícios que se escondem atrás do pote de mel

...

Hoje eu não me sinto nada forte
E não quero ouvir sobre a permanente arte de crescer e aprender
Só quero um abraço forte
Para acreditar que tudo será aquarela
Antes da próxima primavera

10 Novembro, 2008

UM


um
mais um são dois
e pode ter sorriso
e pode ser amor

mas um também pode ser artigo indefinido
pode ser mais um
e se é um não pode ser “o”
e se não é “o”, quem será que é um?

um pode ser qualquer um
pode virar “o” um dia
pode ser aquele um de sempre
e pode até casar com aquele um numeral
e virar a número um daquele “o”

eu já tive vários “um” na minha vida
já tive tantos que são um até hoje
e já tive aquele que virou numeral de primeira linha
daqueles que somados viram dois
e que juntos viram amor

eu já fui “um” na vida de muita gente
eu já quis ser “o” de muitas pessoas
já briguei com os artigos
e tentei convencê-los de que ser numeral é muito mais legal

mas olhando pras folhas do caderno
e todas aquelas linhas cheias de letras difusas
entrelaçadas a um e o
percebi que você pode ser indefinido
mas nem sempre um numeral vem acompanhado de outro
e ainda pode ser a fração de um
mas com certeza todos serão um dos dois em algum momento.

21 Outubro, 2008

.introspectividade.


fecha a porta do meu quarto e deixa
meus espaços estão preenchidos com todos os meus pensamentos e saudades
não quero excessos dentro de mim
quero só o que me basta


hoje, eu me basto só


só com os meus sentimentos
só com o que já foi vivido
só com os meus amores
só com tudo o que lembro
e, às vezes, choro
só com esse choro que termina em riso
só com meus livros, versos, poemas
só com a minha caneta


amanhã será um novo dia
e quem sabe eu não queira mostrar o jardim que cultivo aqui
afinal, é tempo de flores.

16 Setembro, 2008

Filha do Vento



sou filha do vento

um dia a liberdade me convidou pra passear
e eu aceitei
não teve mais volta

ela me ofereceu sorvete de creme com cobertura de chocolate
me levou no topo da montanha mais alta e eu voei ao lado dela
andamos de mãos dadas pela praia e todos queriam saber como a conquistei

não que ela fosse linda
mas era doce
era filha da lua
melhor amiga do amor
irmã do sol
e enamorada de tantas estrelas cadentes

brilhava quando sorria
e me fazia brilhar também
de tanto amar até explodia
e me fazia amar também

e tê-la, assim, comigo
toda manhã
de domingo - a domingo
me fez sentir tão bem
que já não precisava de mais ninguém

e foi aí que quis tentar sozinha
comprei meu sorvete de creme e subi a montanha
uma
duas
trêz vezes
pulmão cheio de ar
braços abertos
olhos cheios d'água:
vôo livre!
e o vento bagunçando o cabelo
arrepiando os pêlos

não podia esperar para contar
e ela ficou orgulhosa por eu conseguir voar
dormimos juntas e sonhei com os seus braços a impulsionar minhas asas

mas quando acordei, ela me olhou nos olhos e disse:
"é hora de partir"
e eu chorei
pedi que ficasse
preciso da sua mão para voar
mas ela me deu seu último beijo de amor
"você está pronta pra voar sozinha"

e quando abri os olhos já não havia mais nada dela que pudesse ver
mas todos os espaços estavam preenchidos
dentro de mim

18 Agosto, 2008

Confissões de Adolescente



Tudo bem, eu não te conheço
Ok, eu sei que demorei muito pra me permitir te conhecer.
Mas agora quero que você fique.
Não, não quero bater papo furado sobre as coisas bobas da nossa vida ou sobre os seus belos quadros.
Quero que você fique grudado em mim.
Sim, eu menti quando disse que não grudava.
É que não tive coragem de dizer olhando nos seus olhos que a minha pele suada cairia muito bem na sua.
Grudada.
Sim, eu quero amor.
Amor de 4 dias, de duas noites, de 24 horas.
Mas que seja amor.
Você já sabe, estou indo embora...

Mas quem perguntou sobre o tempo?
Excluo-o do centro das minhas conversas nesse momento.
E tenho dito que tenho quase tudo pra viver esse amor.
Tá bom, essa grande paixão.
Tenho a minha cama grande, meu quarto fresquinho e meu corpo...
Esperando pelo seu.

Outro dia, andando pela rua me peguei pensando ser sua tela.
Vai ver que é porque fico te imaginando pintando e sonhando que era eu o quadro.
Você o artista.
E o meu lençol branco coberto de tintas.
Meu corpo escorrendo cores.

Bem, tenho que dizer que isso tudo pode ser só um sonho.
Mas de que importa se eu vivo sempre sonhando mesmo.
Só não me acorde!
Se você não me quiser, só seja educado e saia de mansinho.
Diga que está cansado, que tem que visitar os pais e suma.
Eu vou entender que talvez você não seja o número do meu sapato.
Que as suas cores, fortes, não se encaixam muito bem no tom da minha pele.
Ou que os meus olhos não servem de inspiração pra sua arte.

Ah, e só mais uma coisa...
Se voltar a minha casa
Nem pense em dormir na sala...

Juliana Diving' Crazy Pestana

18 Junho, 2008


Silêncio
Eu não quero ouvir a voz rouca de quem ousa temer a vida
Eu não tenho medo do futuro
Eu dou cada passo sem saber qual será o próximo
E a vida por si só se encaminha de dar o rumo que o meu coração mandar

Escuro
Eu não quero ser acordada com a lanterna daqueles que vivem prevenidos para uma noite de tempestade
Eu prefiro as cores da noite quente e ser surpreendida com o sol na minha janela quando passar a chuva
Eu busco as cores dentro de mim e nem todo dia é dia de arco-íris num céu azul


Silêncio
Não precisa me contar os seus medos
Eu posso senti-los quando você não diz nada e me olha sem saber as respostas
Eu posso senti-los quando o silêncio agride a alma e fala mais que mil palavras
E eu sinto...
Porque a vida não faz sentido algum se não a sentirmos


Escuro
Não precisa acender a luz para me mostrar o seu rosto
Eu o reconheço pelo cheiro da pele e a intensidade do toque
Eu nunca soube como sentir só um pouco
Conhecer só um pouco
Amar só um pouco
Eu não sei viver só um pouco
Eu não sei amar sem viver
Eu não sei viver sem amor


Silêncio
Eu não preciso de sons pra amar.

02 Junho, 2008

Eu e Ela


Ando sentindo a sua falta e tentado achar o meu caminho de volta para você, meu amor.

Sinto falta da tua suavidade na minha vida e da brisa doce que escorre pelo meu rosto quando estamos juntas.

Tua fala mansa sussurrando no meu ouvido por todo o dia “vem me ver”...

Sinto falta dos nossos encontros pela madrugada quando suas rimas me tiravam o sono e eu levantava ávida para dar forma ao teu corpo.

Sinto falta de te sentir a minha volta, em cada flor que desabrocha ou nos olhares desencontrados pelo caminho.

Porque os nossos passos já andaram tão juntos e as nossas mãos já abandonaram o corpo entrelaçadas.

Agora sou eu que te oferto minhas letras e sussuro ao vento pela sua presença. Volta, meu amor... volta.

Volta por que um pedaço de mim se foi contigo e parte do meu jardim não floresce mais sem o teu líquido.

Volta por que as minhas páginas estão em branco como lençóis castros esperando pelo seu regresso. E a minha caneta está pronta para escrever a nossa nova estória...

10 Abril, 2008


e foi assim que os dias viraram meses e as semanas findaram abismos enormes entre os dois.

foi no dia em que ela guardou a saudade na gaveta e segurou o coração apertado para não ligar.
foi no dia em que ele vestiu a calça nova e saiu para dançar.

foi no dia em que ela deixou de dormir para parar de sonhar.
foi no dia em que ele não voltou para casa para não ter que lembrar.

foi no dia em que ela guardou as fotos na mala.
foi no dia em que ele mudou os móveis da sala.

foi no dia em que ela se viu realmente sozinha.
foi no dia em que ele entrou em casa e as paredes ja não estavam mais vazias.

foi no dia em que ela sentiu raiva por acreditar.
foi no dia em que ele resolver desistir de esperá-la ligar.

foi no dia em que ela desejou não mais sentir quando ele chamasse.
foi no dia em que ele se permitiu viver como se ela não voltasse.

foi no dia...
naquele dia.

07 Março, 2008


Eu pensei que fosse fácil.
Mudar de vida, mudar de roupa.
Pensei que fosse tudo a mesma coisa.
Na verdade, eu quis acreditar que poderia ser tudo simples.
Como entrar no salão loira e sair com os cabelos cor de uva.
No problem, it’s just the color.

Mas e quando você muda a cor dos seus dias e eles começam a passar como televisão antiga: preto e branco?
E quando o sol fica com preguiça de sair e a paisagem parece sempre cinza?
E quando você descobre que o que realmente importa na vida não há dinheiro que pague, e tudo isso ficou distante?

Então, um dia você pára e olha: não é fácil.
Não é fácil esquecer um grande amor.
Não é fácil não ver mais os olhinhos brilhantes dos que te amam.
Não é fácil sentir frio e não ter braços fortes para te abraçar.
Não é fácil sentir saudades.

Não é fácil começar de novo.
Mas a certeza do reencontro num futuro breve, com cores cintilantes, sorrisos e abraços apertados, transforma as nuvens em arco-íris e o cinza reluz como prata nesses dias sem graça.

Porque não há futuro sem esperança
Nem vencedores sem Guerra.

08 Fevereiro, 2008

2.0.0.8


Piso em terras que não são minhas
Respiro ares que me faltam
E olho pro céu cinzento esperando ver o que há aqui dentro
Em mim, faz sol
Mas ninguém é capaz de ver as cores das flores que brotam no meu jardim

Se é inverno ou verão
Não importa
A minha primavera tem luz própria
Mesmo que, muitas vezes, esse céu cinza reflita nos meus olhos os dias curtos e frios

Abraço árvores que não são as minhas
Piso em gramas que dormem quietas e entristecidas
Sem lembrar o verde da minha terra
Encaro o raio de sol que, tímido, se lança de encontro ao meu
E se beijam como irmãos que há tempos se esperam

Mas se perguntarem por onde ando...
Só digo que vivo
E vivo cada dia a saudade que sinto.





Estou de volta. Distante só no CEP... mais perto do que nunca!

01 Novembro, 2007

Faz tempo que deixei as máscaras caírem por terra. Faz tempo que deixei de tentar me esconder atrás dos medos. Faz o mesmo tempo que assumi que o amor é fato incondicional na minha vida e que eu posso abrir mão de tudo... e de todos, menos de mim.

Eu ainda me olho no espelho e vejo as mesmas imperfeições de antes e o meu cabelo não amanhece lindo como nos comerciais de TV. Mas hoje eu vejo uma pessoa nova dentro de mim. Essa pessoa é linda porque é ela. Ela exatamente como ela é e não tenta maquear com blush e corretivos as marcas que a vida já lhe concedeu.

Olho para as pequenas rugas de expressão que já surgem no meu rosto e os cabelos brancos que, antecipadamente, ameaçam nascer e lembro, com orgulho, que vivi. Erros ou acertos, não importa. A vida é urgente e não dá pra voltar atrás em todos os tropeços que damos. Não dá pra rebubinar a fita, tampouco apertar o delete do teclado. O grande aprendizado é olhar para frente e seguir adiante porque nada volta... e na próxima esquina poderá encontrar uma flor... ou uma pedra. Só depende de você. Ninguém pode limitar a nossa felicidade ou dizer até onde devemos ir. Nem nós mesmos.

E eu quero viver comigo pra sempre. Mesmo nos dias em que amanheço tão nublada que mais pareço tarde de tempestade em janeiro. Eu quero morar comigo e amar toda a vida que eu escolher ter. Mesmo quando as minhas escolhas não forem as melhores. Eu prometo me amar e respeitar, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte física me leve para o reencontro eterno. Amém!

22 Outubro, 2007

* Tempo *


Tempo, tempo, tempo, tempo
Quanto tempo o tempo têm?
Quanto dura o desassossego
E um sorriso de felicidade?
Quantas lágrimas custa uma despedida
E quantos abraços demora um reencontro?

Tempo, tempo, tempo, tempo
Me diz quanto tempo dura um grande amor
E em quantos tempos se constrói um novo?
Diga-me quantas rosas dura a eternidade
E em quantas primaveras se refaz um jardim?

Tempo
Chuva e sol
Tempo
Inverno e verão
Tempo
Quantos invernos dura uma tempestade
E quantos beijos dura uma noite quente?

Tempo em si
Arde em mim
Tempo
Quanto tempo dura uma saudade?

08 Outubro, 2007

Viver
E não ter a vergonha de errar
De pisar em falso
De tropeçar na pedra
De rasgar o vestido
De quebrar o salto

Viver
E não ter medo de ser feliz
De andar sozinho
De sair sem rumo
De sorrir no escuro

Viver
E ultrapassar os obstáculos
Limpar o suor do rosto
Enxugar as lágrimas e seguir adiante

Viver
Porque essa vida é uma só
E não viemos aqui a passeio!


24 Setembro, 2007


Nos braços de um anjo cheguei até os pés de Deus.
E chorei.
Meus olhos não foram capazes de abrir. E chorei.
Minha voz perdeu a vontade de falar e só pude chorar. Vi todas as verdades serem desconstruídas por um amor que não seria capaz de explicar. Era a luz que faria calar qualquer grande sábio e todos os mortais: dos ignorantes aos mais iluminados. E eu estava ali.
Como um infinito grão de areia em desertos imensos não fui capaz de me manifestar. Encolhi o corpo perto dos Seus pés e mal O toquei de medo de alcançá-los verdadeiramente.
Foi então que Ele tocou o meu rosto e fez com que eu erguesse a face. Sabia que poderia vê-lo, mas sentir a sua luz sem que fosse preciso abrir os olhos já me pareceu uma dádiva maior do que imaginava.
Chorei enquanto Ele passava a mão nos meus cabelos e mesmo que não O visse, sabia que Ele sorria. Consegui, finalmente, dizer uma única palavra. Três letras, repetidamente... repetidamente: PAI... PAI...
Sem que controlasse abri os olhos. Não tinha nada que pudesse ver além dos elementos repetidos do meu quarto. Mas Ele estava ali e me abraçava.
E então, de olhos abertos, agradeci por todos os dias dessa minha vida... e por todas as outras que ainda estão por vir. Amém!



Juliana Pestana e companhia

17 Setembro, 2007





O amor é a única arma capaz de mudar o mundo.


Arme-se até os dentes!

05 Setembro, 2007

Carta de Amor


Hoje eu não vou chorar pela sua ausência. Tampouco lamentar a minha dor egoísta por não ter a sua companhia.
Hoje eu quero falar de vida. E dos 24 anos dos seus sorrisos, flores, lágrimas e espinhos. De todas as nossas gargalhadas e das minúcias da vida que dividimos. Da nossa vida juntas.
Quero contar que ainda lembro da nossa infância e das nossas brincadeiras de boneca. Que “às vezes me pergunto se eu viverei sem ter você, se saberei te esquecer”, porque você me ensinou que Sandy & Junior eram os melhores cantores da nossa infância e eu demorei meses para conseguir olhá-los depois que você se foi.
Que ainda lembro da lojinha que sonhávamos em abrir e do seu jeitinho doce de me convencer que “Lujuá” era o melhor nome para o nosso empreendimento. E eu relutante em ceder às suas opiniões. Mas com o passar do tempo ficou claro que você seria a mais inteligente da família. E eu me orgulharia disso eternamente.
Logo veio o vestibular. Você queria fazer “oncologia pediátrica” e todos se perguntavam o que seria isso. Eu comecei a entender tudo do trabalho de crianças com câncer e passei a me orgulhar mil vezes mais de você.
Mesmo não suportando as aulas você tentava me convencer que estudar era a melhor opção. Não foi de se estranhar quando você passou pra Unirio e eu entrei pra FACHA. Eu permaneci na minha decisão libertária de ser publicitária, mesmo com tantas opiniões contrárias, mas você acabou mudando pra biologia.
E depois disso acabamos mudando muito mesmo... eu, cada vez mais falante e elétrica. Você, com o mesmo medo de falar em público e agora, cuidando dos animais. Primeiro cão, depois a tartaruga, o hamster, ...
Você passou a adorar a novela da Record e eu não entendia como aquilo era possível. E foi aí que percebi que tínhamos crescido de verdade e nos tornado duas mulheres absolutamente distintas, mas com um amor e admiração inabalável.
Em especial hoje, eu lembro que por mais que a rotina nos afastasse do convívio diário, não poderia faltar no dia dos nossos aniversários aquele cartão enorme com textos de amor e declaração uma para a outra.
E foi por isso que eu resolvi escrever hoje. Para que todo mundo saiba que a saudade é grande, mas eu agradeço a Deus por cada minuto que passamos juntas e por todos que ainda teremos. Porque a eternidade nos espera e o amor é eterno!


Hoje, Luana completaria mais um ano nessa vida, mas por ser tão grande, preferiu acrescentar esse ano na sua eternidade.

28 Agosto, 2007

Novo Tempo

De repente parece que o mundo ficou pequeno.
De repente parece que o MEU mundo ficou pequeno.
Parece que as paredes ficaram estreitas e o que antes parecia amplo, agora não me cabe mais.
Parece que as minhas asas ganharam força e querem ir além, ultrapassar as barreiras desse céu azul e voar em outra nação.
De repente parece que a minha caneta quer tatuar outras línguas.
Gravar novas formas na memória.
Recomeçar uma nova história...
De repente parece que o amor, de tão grande, encheu todo o meu mundo e deu vontade de sair sem destino, sem marcar o caminho de volta.
Parece que o “eu te amo” ficou pequeno para caber tudo o que ele representa e todas as portas que ele abriu dentro de mim.
Parece que a cabeça já abandonou esse corpo que ainda se aperta no quarto apertado e voa loooonge... em outras terras, outros mares...
Na verdade, o corpo já está quase lá, mas o coração é que insiste em permanecer por aqui.

23 Agosto, 2007

...



Engole seco
Respira fundo
E seca essa tal de dor

Não adianta choramingar
E tampouco falar desse seu amor
:
Sem cor

Levanta a bunda da cadeira
Esquece de ter medo
Se encara no espelho

Arranca as folhas do caderno
E pára de tentar viver de poesia
A realidade é dura e asfixia

Desiste de sofrer
E assume que não consegue ser feliz
Se o preço é ter que escolher

Aprende a conjugar os verbos
:
NO PASSADO
E pára de tentar achar sinônimo quando a palavra certa é
:
adeus.

13 Agosto, 2007

Leve como os passos de uma criança vai pisando a terra, como se fossem flores. As pétalas nascem no ritmo dos seus passos, acompanhando a dança. E dança como se estivesse no palco. Dança com as palavras que acompanham os braços e segue o movimento dos cabelos em desalinho com a brisa do vento.

Sonha em libertar os pássaros das gaiolas e juntos, cantarão a vida em notas mágicas que se espalharão pelas ondas de amor.

As cores tingem o papel em branco e criam formas que um dia ajudarão a desvendar os mistérios escondidos atrás do pote de mel.

E sai dançando sem música pelas ruas. A janela ficou pequena, precisar olhar tudo de perto e deixar que a ventania a leve pelo caminho. Se voar uma pétala, não se preocupe. Talvez os pés tenham tomado força demais...

05 Agosto, 2007

Inícios e Fins. Encontros e Despedidas.


*Foto: Monalisa

Toda paisagem tem dois ângulos. Toda música, dois tons. Todo amor, dois amantes... dois irmãos.
Um encontro pode ser um encontro para os que se unem, mas uma despedida para o que ficou para trás.
Uma despedida pode ser a possibilidade de um novo encontro ou ainda a chance do inesquecível encontro até um intervalo. Mas pode ser o fim.
E se o fim pode ser um novo início e o início mais um fim, como saberemos quando finda uma estória?

Sei hoje uma pouco mais do que sabia há algum tempo atrás, mas ainda sei quase nada. O que eu sei me basta para entender que é preciso escolher por qual ângulo eu quero olhar a vida. Para entender que é preciso amar o arco-íris e reconhecer todas as suas cores para saber o valor do branco. E amá-lo dessa forma. Pois como poderíamos saber que o branco é composto de todas as outras cores se não o olhássemos por dentro?
Eu quero olhar o mundo por dentro e achar o que deveríamos ter procurado o tempo todo: eu mesma!

23 Julho, 2007

*foto: Catarina Cruz

O papel me procura e a caneta me paquera a distância. Estão prontos para esse encontro, mas esperam. Precisam que eu manifeste o desejo latente. Me entrego. Entrego porque sem a escrita me subscrevo, sem ela me asfixia. Falta calor, falta alimento:

Anorexia

Estava na beira da calçada a tua procura
E ela veio sem arranhuras
Os versos prontos, encaixados na minha cintura
As palavras me percorriam o corpo e era como aquela mão que alicia
Tira o sossego de dentro do peito e te deixa pronta
Uma tortura!
Tortura ver as letras se transformando em desejo
Marcando o corpo com gotas que sangram do teu beijo
E essa língua que arde aqui dentro

Estava no escuro, na tua noite
E a tua música me inspirava a dúvida
E em vez de tentar adivinhar como é que se esquece
Ela resolveu afundar a cabeça nesses versos
E gozar a última gota do teu sexo
Pra saber quem vence a luta
Se a tua saudade ou a minha poesia
Se essa bendita noite sem lua e fria
Com esse som de black que me arrepia
Ou a minha caneta que tatua
E escreve no corpo ao som das letras úmidas

Estava no banco da praça, na madrugada escura
Quando desisti de te esperar pra me guiar a vida
E aceitei a lua, nua e crua
Sem nenhuma censura
Pra escrever esses versos súditos
Escravos do meu prazer múltiplo
De sussurrar palavras pra caneta rígida
E borrar as folhas castras
Desse acúmulo de dias sem graça

Tava dormindo na tua cama em gozo
Quando ela me arrancou do teu corpo
E me fez acordar com um soco
Pra vomitar esse escopo
Pra recordar a poesia sem rosto
Que mostra tudo sem máscaras
E arregaçar as vidraças
Para que não exista farsa
Dúvida, descrença, ou ameaça
De que a escrita dominou essa menina
E não adianta fugir da cina
Porque ela te acha em qualquer esquina.

18 Julho, 2007

O dom de amar

Ela pediu pra eu guardar com carinho, colocar na gaveta para rirmos desse momento no futuro. Mas a minha melhor forma de guardar um presente é aqui, com vocês.
Dizem que temos muitos amigos na nossa vida, mas eu sou daquelas que tenho poucos, mas eternos. Essa é uma que me conhece como ninguém... ou como só alguém conheceu.

***
Ela trafega, saltita e peralta
Vai caminhando lascando sua bota
Sem importar com que aos outros importa

Ela irrita, alegra e reclama
Que o celular toque, ringue e inflama
O seu soar pela madrugada
E mesmo que pareça desamparada
Ela ama, também se derrama
Volta a labuta e ri do nada

Ela é contente, mas também se derrete
Ela é gente, bem mais serelepe
Mas é humana
Ora anjo parece
Mas quando precisa
Ela grita e exala
E o coro sozinho ecoa aos cantos
O que o coração urra quase que inerte:
"Bata a porta e vê se desce!"

Esse poema é mais um dilema
Do mistério que é a vida dela
Da magia que vê da janela
Menina sorria, como ninguém tu sabes
Viver é presente
A quem vê que a vida é bela!


Stefhane Marcin

05 Julho, 2007

Tempo de vida


Tem épocas em que a poesia tira férias das letras.
Ela escapa das folhas do caderno e vai entrando... devagarzinho na minha vida.
Acomoda-se do meu lado na cama e começa a sussurrar sonhos no meu ouvido.
Sopra uma brisa doce no meu rosto e me faz andar com uns versinhos bobos grudados na cabeça.


Tem épocas em que as letras viram vida ...
E eu não consigo aprisioná-las no caderno.